11 março 2010

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Autre Avenir

        Hoje eu só queria um pouco de calor, entende? Não esse calor que faz a gente suar ou o gelo derreter, mas aquele calor que acalma, que dá esperança... Aquele abraço que te convida a levitar. Aquele sorriso que te faz esquecer a próxima fala. Aquele momento em que o tempo para e as duas pessoas se olham esperando que o silêncio diga tudo. Aqueles momentos assumidamente passageiros em que o mundo lá fora não tem nenhuma importância se comparado a companhia dos amantes. Queria alguém que soubesse me olhar, sabe? Alguém que me olhasse e visse quem eu realmente sou. Que não levasse em consideração a minha confusão e sim minha capacidade de amar, de ser carinhoso, de ser doce... É tão difícil. Fico lembrando de Katy falando pra mim com aquele jeitinho doce/amargo que só ela tem, me dizendo: 'Isso tudo é por quê você não se ama, meu amigo'. E ela faz aquela carinha de quem sabe que eu não gostei do que ouvi, mas que no fundo, bem lá no fundo, eu sei que é verdade. Aí o coração aperta tanto, pois eu lembro da saudade que tô sentindo dela e de nossas discordâncias via internet. Fico querendo confessar que eu sempre invejei a capacidade que ela tem de nunca perder brilho. Fico só querendo encontrar um jeito de dizer a ela que eu tô me cuidando como prometi. Vontade de dizer que eu tô tendo sucesso na minha nova fase ‘Eu em primeiro lugar’. Mas hoje, nêga, ta difícil ser eu mesmo.

        Lembro também de João Neto, meu doce amigo, que tem um jeito todo divino-humano de me entender e dizer: 'Mazes, tu tens o fogo sagrado.' E ele me diz isso com uma verdade tão grande que eu até chego a me sentir importante. Ele que tem tanta paciência comigo e eu sou sempre tão precário nas minhas cestas de presentes. Penso mais um pouco e chego a odiá-lo por instantes, pois ele devia ter chegado antes na minha vida, assim eu ia poder contar mais vezes com sua forma didática de sempre me dizer que ali na frente eu vou encontrar uma pedra e que se eu não tomar cuidado agora, quando eu tropeçar, não vou saber me levantar... E o pior é que ele sempre sabe onde eu vou cair e nem se dar o direito de me odiar quando eu digo que ele ta equivocado ou que eu sei me virar sozinho. É, meu amigo, não se afasta de mim não, por favor. Eu preciso de ti pra me ajudar a ser mais atento na minha caminhada.
  
        E penso também no verde, nas árvores e tudo que a vida me trouxe de bom meses atrás e lembro da minha Vida... Que me aparece às 7h da noite feito uma cabrocha moderna saindo de um seriado americano com uma linda flor no cabelo. E eu digo sempre: ‘Heniza, queria tanto que tu pudesse se ver como eu te vejo. Queria que tu soubesses o quanto és bela e iluminada.’ Ela nem acredita... Fica rindo disfarçando a vergonha com aquele sorrisão que só ela consegue dar quando a gente ta junto. Ela vai me encantando e somando tantas coisas que  gente tem em comum que eu fico taquicardio só de pensar que ela ta sentindo dor. Fico querendo ter super poderes para curar aquele braço esquerdo que faz dias que ta dodói, mas nem posso fazer nada... Seu eu tivesse mesmo algum dom eu não precisaria mais escrever nesse blog, até porque as besteiras que eu escrevo estão ficando repetitivas e cansativas... Se eu tivesse mesmo algum dom,  deixaria de lado esse meu mal hábito de querer bancar o escritor e daria espaços para os escritores de verdade, eles sim é que são voadores... Eu sou só mais um andarilho confuso.

       Abro a geladeira e fico a me dizer coisas como: ‘Ah, eu queria tanto ser auto-suficiente, não levar nada a sério, não me prender a ninguém, não sonhar viagens românticas, não me perder nas voltas do amor...’ Ao mesmo tempo eu queria um abraço de alguém que soubesse que tá abraçando um cara raro, sabe? Porque eu sei que sou raro. Não melhor que ninguém, mas cada um sabe seu gosto e suas delicias. E eu escrevi isso tudo só pra dizer que hoje eu queria me sentir assim pra alguém: RARO.

MAZES

Um comentário:

E Agora Gregório? disse...

Acho esse um dos melhores!